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Responsabildade Social

As dimens√Ķes sociais e de sa√ļde ao se doar sangue representam a tomada de consci√™ncia de uma sociedade que tem por obriga√ß√£o saber e atender √† demanda por transfus√£o de uma forma universal. A consci√™ncia quanto √† doa√ß√£o de sangue n√£o deve ser associada apenas a um ato de solidariedade, mas sim a um ato de cidadania e de responsabilidade social.

O volume de 450 ml de sangue armazenado em cada bolsa pode salvar at√© quatro vidas e ainda levar esperan√ßa a pacientes que dependem das transfus√Ķes para viver. Vale ressaltar que doa√ß√£o de sangue dura cerca de uma hora e n√£o traz riscos √† sa√ļde.

Objetivo

A Confedera√ß√£o Nacional de Munic√≠pios (CNM), preocupada com as dificuldades e as oscila√ß√Ķes que os bancos de sangue p√ļblicos vivem em todo pa√≠s, decidiu desenvolver o projeto ‚ÄúRede de Munic√≠pios Doadores‚ÄĚ, como uma estrat√©gia piloto que tem como objetivo geral contribuir para o aumento das doa√ß√Ķes de sangue no pa√≠s por meio de um processo de comunica√ß√£o e intera√ß√£o entre hemocentros, gestores(as) municipais e doadores(as).

A promo√ß√£o da conex√£o desses tr√™s p√ļblicos-alvo (hemocentros, prefeituras e doadores), por meio de uma plataforma online e de um aplicativo para celular, contribuir√° para o estabelecimento de um fluxo mais eficaz de divulga√ß√£o e atendimento de demandas por sangue, pois as prefeituras acompanhar√£o diretamente os alertas de baixo estoque emitidos pelos Hemocentros e Unidades de Coleta p√ļblicas e poder√£o auxiliar no transporte dos doadores do seus respectivos Munic√≠pios para as cidades onde poder√£o efetuar as doa√ß√Ķes.

Com essa iniciativa, a CNM quer caminhar conjuntamente com os(as) prefeitos(as), primeiras damas e gestores(as) municipais de sa√ļde em busca de uma a√ß√£o coordenada para incentivar a doa√ß√£o de sangue no Brasil. √Č muito importante mobilizar as autoridades locais para que assumam esse compromisso de incentivar a doa√ß√£o de sangue, se aproximando mais dos hemocentros p√ļblicos e da popula√ß√£o.

Essa ação concreta do Movimento Municipalista buscará atuar como um motor de transformação na realidade da falta de sangue para quem precisa.

Justificativa

Os servi√ßos do Sistema √önico de Sa√ļde (SUS) e da Hemorrede P√ļblica Nacional geralmente funcionam com os estoques de sangue no limite, apresentando dificuldades na manuten√ß√£o dos estoques estrat√©gicos e necessitando de mais doadores.

Dados da ONU apontam que o Brasil, apesar de coletar o maior volume de sangue em termos absolutos na América Latina, doa proporcionalmente menos do que outros países da região, como Argentina, Uruguai ou Cuba.

Revelando ainda outra particularidade da doa√ß√£o de sangue no Brasil: seis em cada dez doadores (59,52%) s√£o volunt√°rios (ou espont√Ęneos, aqueles que doam com frequ√™ncia sem se importar com quem vai receber o sangue), propor√ß√£o inferior √† de Cuba (100% s√£o volunt√°rios), Nicar√°gua (100%), Col√īmbia (84,38%) e Costa Rica (65,74%).

O restante (40,48%) √© formado por doadores de reposi√ß√£o, ou seja, aqueles que doam por raz√Ķes pessoais (quando um amigo ou parente precisa de sangue). Especialistas da √°rea dizem preferir os doadores volunt√°rios aos de reposi√ß√£o pois conseguem ter maior controle sobre a proced√™ncia e qualidade do sangue.

Segundo o Minist√©rio da Sa√ļde, no ano passado, foram coletadas 3,7 milh√Ķes de bolsas de sangue, 200 mil a mais do que em 2013 ‚ĒÄ uma alta de 4,55%. J√° as transfus√Ķes cresceram 6,8% no per√≠odo (3,3 milh√Ķes em 2014 contra 3 milh√Ķes em 2013).

Ainda assim, em termos gerais, somente 1,8% da popula√ß√£o brasileira entre 16 e 69 anos doam sangue. A ONU considera "ideal" uma taxa entre 3% a 5%, caso do Jap√£o, dos Estados Unidos e de outras na√ß√Ķes desenvolvidas.

Fatores que mais limitam a doação de sangue no Brasil

a) Falta de conscientiza√ß√£o da popula√ß√£o: acredita-se que o entendimento de que a doa√ß√£o de sangue seja um ato "social e cont√≠nuo" ainda n√£o est√° totalmente presente na mentalidade do brasileiro. √Č preciso um esfor√ßo educacional em escolas e por meio de campanhas p√ļblicas para garantir que as pessoas entendam a necessidade e se disponham a doar sangue regularmente.

b) Estigma: a doação de sangue no Brasil ainda é cercada de "mitos".

c) Deficiência estrutural: muitos hospitais, principalmente no Nordeste, não tem as chamadas "agências transfusionais", espécie de filial dos hemocentros dentro dos centros médicos.

e) Locomoção do doador até o centro de doação: a maioria dos hemocentros do país, que tendem a estar centralizados nas capitais, tem poucas unidades móveis capazes de fazer a coleta junto a potenciais doadores de Municípios do interior.

f) Normas e proibi√ß√Ķes: algumas proibi√ß√Ķes para doa√ß√£o de sangue s√£o pol√™micas no Brasil, sendo consideradas um entrave ao aumento no n√ļmero de doa√ß√Ķes.

g) Aus√™ncia de informa√ß√Ķes para doadores potenciais: muitas unidades de coleta n√£o possuem sites institucionais e mecanismos de comunica√ß√£o eficientes, dificultando a comunica√ß√£o da demanda de sangue e da chamada √† doa√ß√£o. Faltam informa√ß√Ķes tamb√©m sobre os par√Ęmetros que tornam apta uma pessoa a doar.

h) Falta de Hemocentros, Unidades de Coleta de Sangue e Agências Transfusionais no interior dos Estados: no Brasil, os hemocentros tendem a estar concentrados nas capitais, o que dificulta todo o procedimento de coleta de sangue, processamento, distribuição e transfusão. A maioria dos Municípios não possuem, ao menos, Unidades de Coleta e Transfusão, inviabilizando a população dos interiores a efetuar a doação.