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Roda de Conhecimento apresenta plataforma de teleconsulta psicológica a profissionais da saúde

09 de junho de 2020

Ministério da SaúdeDia após dia, temos milhares de pessoas na linha de frente adotando uma série de medidas para cuidar da saúde daquelas pessoas acometidas pelo novo coronavírus (Covid-19). São profissionais de saúde, como médicos e enfermeiros que, ao todo, somam mais de 3 milhões de cadastrados no país. Desses, 1,5 milhão, ou seja 50%, são cadastrados para atuar nos Municípios.

Uma das preocupações levantadas pelo Ministério da Saúde, apoiado por um grupo de universidades e pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), foi com relação à saúde mental destes profissionais, visto que trabalham sob pressão diariamente. O tema foi tratado durante Roda de Conhecimento desta terça-feira, 9 de junho, que trouxe uma plataforma que vai auxiliar os profissionais a lidar com as pressões e os problemas mentais ocasionados devido a pandemia. 

“A plataforma foi disponibilizada pensando na saúde mental dos diversos profissionais de saúde que estão à frente do combate à Covid 19. Nós sabemos que a pressão é muito grande e que a procura pelos serviços de saúde aumentou muito, principalmente na porta de entrada do SUS, que são as nossas Unidades Básicas de Saúde (UBS)”, reforçou o supervisor do Núcleo de Desenvolvimento Social da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Denilson Magalhães. 

A preocupação com a saúde mental, especialmente dos profissionais de saúde, foi o principal ponto de início para a pesquisa e a implementação da plataforma que visa orientar e ajudar esses profissionais. “Tínhamos também que cuidar de quem cuida de nossos pacientes. O adoecimento psíquico acontece com uma frequência muito grande quando se está numa situação extrema como uma pandemia. Nessa situação, a nível mundial, já se tem vários trabalhos mostrando a incidência de adoecimento destes profissionais”, ressalta a diretora substituta do departamento de ações programáticas e estratégicas da secretaria de atenção primária do Ministério da Saúde e coordenadora geral de saúde mental, Maria Dilma. 

CNMOs adoecimentos estão relacionados a diversas situações em que os profissionais de saúde lidam diariamente. Primeiro pela própria situação vivenciada pela pandemia, somado ao fato de terem que lidar com uma doença nova e que não se tem conhecimento sobre o tratamento. Isso tudo, somado ao fato do risco de contágio ser elevado. “Temos pessoas que se sentem inseguras porque podem estar se contaminando, podem contaminar seus familiares. Isso gera muito sofrimento a todos”, lembra Maria Dilma.

Entre os principais sintomas que podem ser observados estão sintomas depressivos, ansiedade, aumento da irritabilidade e o esgotamento emocional com manifestações frequentes. “A pandemia é um gatilho. As pessoas já tem uma sobrecarga, já estão trabalhando as vezes em condições que não são ideias já tem exaustão emocional e física e a pandemia só exacerbou isso. A saúde mental, a OMS [Organização Mundial de Saúde] reconhece como o estado que traz a maior carga de doença entre todas as doenças. A gente vai ter que olhar muito para isso nos próximos anos”, complementou o professor da escola de medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e coordenador adjunto do projeto, Lucas Spanemberg.

Sobre a Plataforma

Denominada Telepsi, a plataforma já está em operação e traz a oportunidade de ofertar a teleconsulta em âmbito nacional para profissionais de saúde envolvidos no contexto da infecção da covid-19. O portal oferece métodos psicoterápicos embasados em evidência científica.

Todo e qualquer profissional de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) pode fazer uso da plataforma. Para tanto, basta entrar em contato pelo número 0800-644-6543 e digitar a opção 4. “O profissional vai ser atendido e acolhido num primeiro momento por uma pessoa que vai fazer um cadastramento para que em seguida um terapeuta entre em contato”, lembra o professor.

Na triagem, o interessado vai responder algumas perguntas sobre fatores protetivos e de risco em saúde mental que vai gerar um placar. Este tem como objetivo mostrar como a pessoa já está lidando em relação a temas de saúde mental. A ferramenta pode disponibilizar 10 mil horas de atendimento psicológico e psiquiátrico. Com 14 dias em funcionamento, o projeto já contou com 265 participantes que demonstraram interesse. Desses, 189 preencheram as escalas de avaliação e foram encaminhados para tratamento.

Ministério da SaúdeEntre os profissionais que mais procuraram atendimento, 50% são enfermeiros ou técnicos de enfermagem. Entre os Estados que mais tiveram profissionais atendidos, São Paulo (17%) e Minas (13%) lideram o ranking.

Capacitação

A Telepsi disponibiliza também uma parte de capacitação e formação. “Nós temos um programa estruturado. A gente entrega uma série de vídeos de psicoeducação que orientam os profissionais baseados em evidência e estratégias para lidar com diversos problemas. Nesse nosso site, terapeutas e profissionais de saúde mental também podem fazer programas de treinamento”, reforça Lucas.

São, ao todo, quatro programas que oferecem ainda manuais desenvolvidos em parcerias com profissionais de outras instituições, inclusive de outros países. Além dos manuais de treinamento, a plataforma possibilita um treinamento em vídeo. “Nós simulamos sessões com atores e outros profissionais para treinar as técnicas. Esse é uma outra entrega, treinar profissionais de saúde. Os gestores também podem oferecer para seus profissionais de saúde mental essa plataforma para treinar intervenções baseadas em evidência”, complementa o professor.

Ao todo, a plataforma já treinou 291 profissionais que baixaram os manuais estudaram, assistiram aos vídeos, fizeram uma prova e obtiveram um certificado para fazerem a modalidade de atendimento.

Para a implementação da plataforma, o Ministério da Saúde investiu recursos na ordem de R$ 2,3 milhões, que possibilitou a contratação e capacitação de profissionais para garantir os atendimentos. “A saúde ela tem custo, não tem preço, mas tem custo. Houve todo um envolvimento para que a gente pudesse ter as contratações. Abrimos um edital de chamamento e a partir disso o hospital de clínicas fez a seleção e avaliação.

Temos toda equipe de trabalhadores e bolsistas atuando para que pudéssemos prestar um serviço de qualidade”, finaliza a diretora substituta do Ministério da Saúde.

Confira como foi a Roda de Conhecimento:
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Por: Lívia Villela

Imagens: Ministério da Saúde; CNM 

Da Agência CNM de Notícias